Conta Bloqueada pelo Banco em 2026: seus direitos e como liberar o dinheiro (Guia Completo)

Se o banco bloqueou ou encerrou sua conta e prendeu o seu dinheiro, há caminho jurídico para liberar. Encerrar a conta é possível por resilição unilateral, desde que com aviso prévio de 30 dias e devolução integral do saldo. Reter o valor não é. Em levantamento de 240 acórdãos do TJSP (jul/2024 a jul/2026), retenções de 27 dias a 5 meses foram tratadas como abusivas.

Conta bloqueada é a suspensão do acesso ao saldo e às movimentações por decisão do banco. A instituição pode encerrar o vínculo (Código Civil, art. 473), mas não pode reter o dinheiro que é seu. Quando há falha do serviço, responde de forma objetiva (CDC, art. 14; Súmula 479 do STJ), observada a análise do caso concreto.

Neste guia as 6 dúvidas mais comuns, o que a lei diz sobre bloqueio e encerramento, o tamanho do problema em 2026, quem são os bancos mais acionados, como o caso acontece, a régua dos 4 pontos que decide quem ganha, o cenário de conta PJ e lojista de maquininha, quanto vale a indenização e o que fazer nas primeiras 24 a 72 horas.

Conta bancária bloqueada pelo banco, ilustração

. Próxima revisão prevista: 22/08/2026 (tema de alta litigância, revisão mensal com base no acompanhamento do TJSP).

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  1. Peça o motivo por escrito exija do banco, por canal oficial, a razão do bloqueio ou do encerramento e um número de protocolo com data e hora.
  2. Guarde a prova do saldo preso salve extratos antes e depois, prints do aplicativo e qualquer notificação recebida (ou a ausência dela).
  3. Verifique o seu CPF/CNPJ consulte o Registrato do Banco Central para mapear contas, vínculos e movimentações registradas.

Detalhe completo na seção O que fazer nas primeiras 24 a 72 horas.

Encerrar a conta o banco pode, com aviso de 30 dias. Reter o seu dinheiro, não. A possibilidade de terminar o contrato nunca autoriza segurar o saldo que já é seu.

Observatório João Coelho

O que revelam 240 acórdãos do TJSP sobre bloqueio e encerramento de conta (jul/2024 a jul/2026)

240
acórdãos analisados
55%
com dinheiro retido
46%
sem aviso prévio
35%
conta PJ

Dados de jurisprudência pública do TJSP, levantamento próprio do escritório. Não representam resultado de casos do escritório nem promessa de resultado.

Cenário em 2026 o levantamento próprio de 240 acórdãos do TJSP (jul/2024 a jul/2026) apontou 2.107 casos julgados em uma única janela anual, sendo 1.804 por ano ligados a “conta bloqueada” e 414 por ano a “encerramento unilateral de conta”, cerca de dez vezes o volume observado no tema de retenção de salário. Em 55% dos casos havia dinheiro retido junto com o bloqueio, em 46% não houve aviso prévio e 35% eram conta de pessoa jurídica. Veja a base completa nos 240 acórdãos do TJSP.

Lojista de maquininha, conta de pessoa jurídica. O faturamento de semanas cai na conta como sempre e, de um dia para o outro, o acesso é suspenso. A justificativa do banco cabe em duas palavras: “movimentação atípica”. O dinheiro do giro fica preso por meses, boletos vencem, fornecedores cobram, a folha aperta. O banco não apresenta elemento concreto de fraude, apenas a suspeita genérica, e não comprova aviso prévio. Esse é o padrão que mais aparece na jurisprudência: a possibilidade de encerrar a conta não vira licença para segurar o saldo. Caso ilustrativo baseado em padrão recorrente da jurisprudência (art. 35 do Código de Ética da OAB).

Quais as 6 dúvidas mais comuns sobre conta bloqueada?

A régua das decisões, em regra, é a mesma: o banco pode terminar o contrato, mas não pode prender o dinheiro do cliente sem base concreta.

Pergunta
O banco pode encerrar a minha conta?Pode, por resilição unilateral (Código Civil, art. 473), desde que com notificação prévia de 30 dias, devolução integral do saldo e registro (Resolução CMN 4.753/2019). O que ele não pode é reter o dinheiro.
O banco pode reter o meu saldo?Não. A possibilidade de encerrar não autoriza reter valores. No estudo de 240 acórdãos do TJSP, retenções de 27 dias a 5 meses foram tratadas como abusivas, com a faixa de 90 a 100 dias funcionando como marco de abusividade evidente.
Bloquearam sem me avisar. Isso é regular?Em regra, não. Em 46% dos casos analisados não houve aviso prévio. Suspeita genérica, sem elemento concreto, não sustenta o bloqueio (CDC, art. 14).
Quanto tempo demora para liberar?A tutela de urgência é frequente e o caso costuma andar rápido. É comum a fixação de astreintes (multa diária) de R$ 100 a R$ 5.000 por dia para forçar a liberação.
Vale para conta PJ e lojista de maquininha?Sim. 35% dos casos são conta de pessoa jurídica (empresa, MEI, lojista de maquininha), e o maior teto de dano moral documentado, R$ 120.000, veio de uma conta PJ do Itaú.
Recebo dano moral além de reaver o dinheiro?A jurisprudência arbitra dano moral conforme a gravidade do caso concreto (mediana de R$ 5.000 no estudo). Não há garantia de valor equivalente em qualquer caso futuro.

O que diz a lei sobre bloqueio e encerramento de conta?

A lei brasileira separa duas coisas que os bancos costumam misturar: terminar o contrato de conta e reter o dinheiro do cliente. A primeira é permitida com regras; a segunda, não. O eixo legal está no Código Civil (art. 473, resilição unilateral), na Resolução CMN nº 4.753/2019 (que disciplina abertura, manutenção e encerramento de contas de depósito e fundamenta a notificação prévia), no Código de Defesa do Consumidor (art. 14, responsabilidade objetiva por falha do serviço; art. 42, devolução em dobro; art. 51, nulidade de cláusula abusiva), na Súmula 479 do STJ (responsabilidade por fortuito interno) e no CPC (art. 833, IV, impenhorabilidade de verbas de natureza alimentar).

Conta bloqueada é a suspensão, por decisão do banco, do acesso ao saldo e às movimentações da conta, muitas vezes acompanhada de encerramento unilateral do vínculo. O banco pode resilir o contrato (Código Civil, art. 473), mas essa faculdade não abrange reter o dinheiro do cliente. Reter o saldo depois de bloquear ou encerrar, sem base concreta, configura falha do serviço e responsabilidade objetiva da instituição financeira (CDC, art. 14; Súmula 479 do STJ), com dever de devolver o valor e, conforme o caso, de indenizar.

Resilição unilateral (Código Civil, art. 473)

O art. 473 do Código Civil admite que qualquer das partes encerre um contrato de duração por resilição unilateral, mediante denúncia notificada à outra parte. Aplicado à conta bancária, isso significa que o banco pode, sim, deixar de manter o relacionamento. O que a norma exige é a notificação, e o que ela não faz é transformar o direito de sair do contrato em direito de segurar o saldo alheio.

Notificação prévia de 30 dias (Resolução CMN nº 4.753/2019)

A Resolução CMN nº 4.753/2019 disciplina a abertura, a manutenção e o encerramento das contas de depósito e é a base da notificação prévia de 30 dias. Encerrar a conta sem aviso, ou com aviso simbólico enviado depois de já bloquear o dinheiro, é justamente o ponto que a jurisprudência mais reprova. Aprofunde no tema em encerramento de conta sem aviso.

Responsabilidade objetiva e fortuito interno (CDC art. 14 + Súmula 479 do STJ)

O art. 14 do CDC impõe responsabilidade objetiva ao fornecedor de serviços por defeitos na prestação, o que dispensa a prova de culpa. A Súmula 479 do STJ confirma que as instituições financeiras respondem objetivamente pelos danos gerados por fortuito interno, aquilo que decorre do próprio risco da atividade bancária. Bloqueio sem elemento concreto e retenção de saldo se encaixam nessa moldura, observada a análise do caso concreto.

Devolução em dobro e cláusula abusiva (CDC art. 42 e art. 51)

Quando há cobrança ou retenção indevida de valores, o art. 42 do CDC abre espaço para a devolução em dobro do que foi indevidamente exigido, tema que exploramos em banco devolve em dobro o débito indevido. Já o art. 51 do CDC declara nulas as cláusulas contratuais abusivas, inclusive aquelas que tentam legitimar retenção de saldo ou encerramento sem aviso.

Impenhorabilidade de verbas alimentares (CPC art. 833, IV)

O art. 833, IV, do CPC protege salários, proventos e verbas de natureza alimentar contra constrição. Esse é um argumento central quando o saldo preso é composto por remuneração ou pelo giro de quem tira dali o próprio sustento. Se o bloqueio atingiu especificamente o salário, veja também o banco zerou o meu salário: o que fazer.

A jurisprudência distingue com clareza dois planos. No plano do contrato, encerrar a conta é lícito quando o banco notifica com antecedência, devolve o saldo e formaliza o encerramento. No plano do dinheiro, reter o saldo é ilícito porque a faculdade de resilir não abrange a apropriação temporária de valores do cliente. É essa separação que orienta a régua dos 4 pontos analisada mais adiante.

Qual o tamanho do problema de conta bloqueada em 2026?

Conta bloqueada deixou de ser exceção e virou uma das maiores demandas bancárias do consumidor. No levantamento próprio de 240 acórdãos do TJSP (jul/2024 a jul/2026), foram observados 2.107 casos julgados em uma única janela anual: 1.804 por ano ligados diretamente a “conta bloqueada” e outros 414 por ano a “encerramento unilateral de conta”. Esse volume é cerca de dez vezes o do tema de retenção de salário, o que dá a medida de como o assunto escalou.

Três recortes ajudam a entender o padrão. Em 55% dos casos, havia dinheiro retido junto com o bloqueio, ou seja, o problema raramente é só perder o acesso, é também ficar sem o saldo. Em 46%, não houve aviso prévio ao cliente. E 35% envolviam conta de pessoa jurídica (empresa, MEI, lojista de maquininha), perfil em que o bloqueio costuma travar o próprio funcionamento do negócio. A base completa e a forma de contagem estão detalhadas nos 240 acórdãos do TJSP e na metodologia e fontes.

Quem é o réu e por quê?

No estudo, a liderança de ações é dividida. PagBank/PagSeguro e Itaú aparecem empatados no topo, com 51 casos cada, o equivalente a 21% da amostra para cada um. Na sequência vêm Nubank (31), Inter (28), Bradesco (11), Santander (10), Mercado Pago (9), C6 (9), Stone (5) e Original (5). Somados, fintechs e bancos digitais respondem por cerca de 60% dos casos, o que reflete tanto o crescimento dessas contas quanto a forma mais automatizada com que muitos bloqueios são disparados.

PagBank51
Itaú51
Nubank31
Inter28
Bradesco11
Santander10
Mercado Pago9
C69
InstituiçãoCasos no estudoParticipação
PagBank/PagSeguro5121%
Itaú5121%
Nubank31
Inter28
Bradesco11
Santander10
Mercado Pago9
C69
Stone5
Original5

Os motivos que os bancos alegam para bloquear ou encerrar se repetem: “movimentação atípica”, “suspeita de fraude”, “desinteresse comercial”, “políticas internas” e acionamento do MED (mecanismo de devolução do Pix). O ponto sensível é que muitas dessas justificativas chegam ao processo sem elemento concreto que as sustente, o que enfraquece a defesa da instituição.

Como o caso de conta bloqueada acontece?

O roteiro costuma ser parecido, independentemente do banco. Primeiro vem o bloqueio, quase sempre sem contato prévio: o acesso ao aplicativo some, o cartão é recusado, o Pix não sai. Em seguida, o cliente busca o motivo e recebe uma resposta genérica, “movimentação atípica” ou “políticas internas”, sem detalhe do que teria sido irregular. Muitas vezes o encerramento da conta é anunciado junto, ou logo depois, e o saldo permanece indisponível.

O impacto varia conforme o perfil. Para a pessoa física, o valor preso costuma incluir salário e reservas, o que ativa a proteção do art. 833, IV, do CPC. Para o lojista e a empresa, o bloqueio prende o faturamento e trava obrigações do dia a dia. Em 55% dos casos do estudo havia justamente dinheiro retido junto com o bloqueio, e é essa combinação, saldo preso somado à falta de aviso, que costuma virar o jogo a favor do cliente.

Sinais de que há base para agir

  • O acesso foi suspenso sem qualquer aviso prévio.
  • O motivo apresentado é genérico (“movimentação atípica”, “políticas internas”) e não vem acompanhado de elemento concreto.
  • Há saldo preso, principalmente salário, proventos ou faturamento de negócio.
  • O encerramento foi comunicado sem os 30 dias de notificação prévia.
  • O dinheiro segue indisponível há semanas ou meses.

A régua dos 4 pontos: o que decide quem ganha

Lendo os 240 acórdãos em conjunto, aparece uma régua de quatro pontos que organiza quase todas as decisões. Ela separa o que o banco pode do que não pode e mostra onde está a linha da abusividade.

Pode
1. Encerrar a conta

Com aviso de 30 dias, devolução do saldo e registro (Código Civil art. 473; Resolução CMN 4.753/2019).

Não pode
2. Reter o saldo

Retenções de 27 dias a 5 meses foram tidas como abusivas; a faixa de 90 a 100 dias é marco de abusividade evidente.

Não basta
3. Suspeita genérica

Rótulo de movimentação atípica, sem elemento concreto, não sustenta o bloqueio (CDC art. 14).

Ônus do banco
4. Defesa do banco

O banco só vence quando prova aviso válido e saldo liberado. A virada é dinheiro preso somado à falta de aviso.

PontoO que a jurisprudência diz
1. Encerrar a contaPode. Por resilição unilateral (Código Civil, art. 473), desde que com notificação prévia de 30 dias, devolução integral do saldo e registro do encerramento (Resolução CMN 4.753/2019).
2. Reter o saldoNão pode. A possibilidade de encerrar não implica reter valores. Retenções de 27 dias a 5 meses foram consideradas abusivas, e a faixa de 90 a 100 dias aparece como marco de abusividade evidente.
3. Suspeita genéricaNão basta. Movimentação apenas rotulada de suspeita, sem elemento concreto, não sustenta o bloqueio (CDC, art. 14).
4. Quando o banco se defende bemO banco tende a ganhar quando prova notificação válida e saldo liberado. A virada contra ele é a soma de dinheiro preso com falta de aviso.

O ponto dois é o que mais aparece na prática. O tempo de retenção funciona como termômetro: quanto mais o dinheiro fica preso sem justificativa concreta, mais clara fica a abusividade. Por isso a faixa de 90 a 100 dias é tratada como marco de abusividade evidente, mas retenções bem menores, a partir de 27 dias, já foram reprovadas quando não havia motivo demonstrado. O ponto três reforça que o rótulo não é prova: chamar a operação de “atípica” ou “suspeita” não substitui a demonstração de um fato concreto. E o ponto quatro inverte o ônus argumentativo, porque cabe ao banco comprovar que agiu dentro das regras, não ao cliente provar que nada de errado ocorreu.

A régua do TJSP em bloqueio e encerramento de conta tem quatro pontos: encerrar pode, com aviso de 30 dias e devolução do saldo; reter o dinheiro não pode; suspeita genérica sem elemento concreto não sustenta o bloqueio; e o banco só se sai bem quando comprova notificação válida e saldo liberado. Retenções de 27 dias a 5 meses foram tidas como abusivas, com a faixa de 90 a 100 dias como marco de abusividade evidente.

0 a 26 diaszona de análise inicial
27 a 89 diasjá reprovado quando não há motivo concreto
90 a 100+ diasmarco de abusividade evidente

Conta PJ e lojista de maquininha: o cenário mais sensível

Um em cada três casos do estudo (35%) é conta de pessoa jurídica: empresa, MEI e, com frequência, lojista que recebe por maquininha. Aqui o bloqueio tem efeito multiplicador, porque prende o capital de giro e paralisa o negócio. O saldo retido não é reserva parada, é o dinheiro que paga fornecedor, folha e tributo na semana seguinte.

Não por acaso, o maior teto de dano moral documentado no levantamento, R$ 120.000, veio de uma conta PJ do Itaú, e as maiores restituições envolvem justamente contas com alto giro. O argumento central nesses casos combina a falha do serviço (CDC, art. 14) com a natureza do valor preso, muitas vezes essencial à continuidade da atividade. A tutela de urgência tende a ser deferida quando fica demonstrado que a paralisação do giro gera risco concreto ao funcionamento da empresa.

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Quanto vale: o que se discute em indenização

A recuperação tem duas camadas: a devolução do valor preso e o dano moral. A devolução do saldo, em regra, é integral quando reconhecida a abusividade da retenção. O dano moral é arbitrado pelo juízo conforme a gravidade do caso, o tempo de retenção e o impacto sobre a pessoa ou o negócio.

No estudo de 240 acórdãos, o dano moral apareceu com mediana de R$ 5.000, média de R$ 8.599 e teto documentado de R$ 120.000 (a conta PJ do Itaú já citada). Do lado das restituições, os valores documentados incluem R$ 120.000, R$ 54.038 (PagBank, saldo preso por 5 meses), R$ 42.070 (Santander), R$ 39.292 (PagBank), R$ 30.000 e R$ 18.243 (Inter). Para forçar a liberação, é comum a fixação de astreintes, a multa diária, entre R$ 100 e R$ 5.000 por dia. A tutela de urgência é frequente, e o caso costuma andar rápido.

R$ 5.000
dano moral (mediana)
R$ 8.599
dano moral (média)
R$ 120.000
teto documentado (conta PJ)
ReferênciaFaixa observada no estudo
Dano moral (mediana)R$ 5.000
Dano moral (média)R$ 8.599
Dano moral (teto documentado)R$ 120.000 (conta PJ do Itaú)
Restituições documentadasR$ 120.000; R$ 54.038 (PagBank, 5 meses); R$ 42.070 (Santander); R$ 39.292 (PagBank); R$ 30.000; R$ 18.243 (Inter)
Astreintes (multa diária)R$ 100 a R$ 5.000 por dia

Os valores acima são referências dos processos analisados, não constituem garantia de resultado equivalente em qualquer caso futuro (art. 35 do Código de Ética da OAB e Provimento 205/2021 do CFOAB).

O que fazer nas primeiras 24 a 72 horas?

⚡ Roteiro das primeiras 24 a 72 horas

  1. Exija o motivo por escrito peça ao banco, por canal oficial, a razão do bloqueio ou do encerramento e o número de protocolo com data e hora.
  2. Preserve a prova do saldo preso salve extratos de antes e depois, prints do aplicativo, e-mails e mensagens, além de qualquer notificação (ou o registro de que ela não chegou).
  3. Formalize a reclamação registre no próprio banco e, se for o caso, no Banco Central e no consumidor.gov.br, sempre guardando os protocolos.
  4. Mapeie o seu CPF/CNPJ consulte o Registrato do Banco Central para verificar contas, vínculos e movimentações.
  5. Separe o que é verba alimentar identifique se o saldo preso inclui salário, proventos ou o giro do negócio, o que reforça a proteção do art. 833, IV, do CPC.
  6. Busque orientação jurídica com a documentação reunida, avalie a via judicial, na qual a tutela de urgência costuma ser pedida para liberar o dinheiro.

Erros que atrapalham a recuperação

  1. Aceitar o motivo genérico sem exigir detalhamento por escrito e sem protocolo.
  2. Deixar de salvar extratos e prints que comprovam o saldo e a data do bloqueio.
  3. Descartar a notificação recebida ou não registrar que nenhuma notificação chegou.
  4. Esperar meses acreditando que o banco vai liberar por conta própria, quando a faixa de 90 a 100 dias já é marco de abusividade evidente.

Quando o banco ganha: o contraponto honesto

Nem todo bloqueio é abusivo, e é importante dizer isso com franqueza. Nos casos analisados, o banco tende a se sair bem quando consegue provar duas coisas ao mesmo tempo: que houve notificação prévia válida, dentro da lógica dos 30 dias, e que o saldo foi efetivamente liberado ao cliente. Quando a instituição documenta o aviso e demonstra que não segurou o dinheiro, a resilição unilateral é reconhecida como exercício regular de um direito (Código Civil, art. 473).

A virada contra o banco aparece quando falta uma dessas peças. O ponto de inflexão é a combinação de dinheiro preso com ausência de aviso: é aí que a suspeita genérica não se sustenta (CDC, art. 14) e a retenção passa a ser tratada como abusiva. Em outras palavras, a discussão raramente é sobre o direito de encerrar a conta, e quase sempre sobre o que foi feito com o saldo e sobre a existência de um motivo concreto.

Como se proteger de bloqueios e retenções

Não há como impedir por completo a decisão de um banco de bloquear ou encerrar, mas dá para reduzir o impacto e chegar mais forte a uma eventual disputa.

  1. Evite concentrar todo o dinheiro em uma única conta, principalmente salário e giro do negócio, para não ficar sem acesso a nada em caso de bloqueio.
  2. Guarde comprovantes de origem dos valores relevantes que entram na conta, o que ajuda a afastar rótulos de “movimentação atípica”.
  3. Leia as notificações do banco e responda por canais oficiais, mantendo o histórico salvo.
  4. Monitore o seu CPF/CNPJ periodicamente pelo Registrato do Banco Central.
  5. Ao primeiro bloqueio, aja logo e documente tudo, sem esperar semanas na expectativa de uma liberação espontânea.

Perguntas frequentes sobre conta bloqueada

O banco pode bloquear a minha conta sem me avisar?

Em regra, não é regular. Em 46% dos casos analisados no estudo do TJSP não houve aviso prévio. A instituição pode encerrar o vínculo (Resolução CMN 4.753/2019), mas deve notificar, e uma suspeita genérica sem elemento concreto não sustenta o bloqueio (CDC, art. 14).

O banco tem direito de encerrar a minha conta?

Tem, por resilição unilateral (Código Civil, art. 473), desde que com notificação prévia de 30 dias, devolução integral do saldo e registro do encerramento. O direito de encerrar não se confunde com o de reter o dinheiro.

O banco pode ficar com o meu saldo depois de encerrar?

Não. A possibilidade de encerrar não autoriza reter valores. No estudo, retenções de 27 dias a 5 meses foram consideradas abusivas, com a faixa de 90 a 100 dias como marco de abusividade evidente.

O que significa “movimentação atípica” e isso basta para bloquear?

É um rótulo genérico usado com frequência pelos bancos. Por si só, sem elemento concreto que aponte irregularidade, não sustenta o bloqueio nem a retenção do saldo (CDC, art. 14). A instituição precisa demonstrar o que, de fato, seria irregular na conta.

Quanto tempo leva para liberar o dinheiro na Justiça?

O caso costuma andar rápido. A tutela de urgência é frequente e o juízo pode fixar astreintes de R$ 100 a R$ 5.000 por dia para forçar a liberação do saldo.

Vale a pena para conta de empresa ou de lojista de maquininha?

Sim. 35% dos casos do estudo são conta de pessoa jurídica, e o maior teto de dano moral documentado (R$ 120.000) veio de uma conta PJ. Nesses casos, o bloqueio prende o capital de giro e o argumento se soma à falha do serviço.

Recebo dano moral além de recuperar o valor?

Pode haver dano moral, arbitrado conforme a gravidade do caso concreto. No estudo, a mediana foi de R$ 5.000 e a média de R$ 8.599. Não há garantia de valor equivalente em qualquer caso futuro.

Posso pedir devolução em dobro?

Depende do caso. Quando há cobrança ou retenção indevida, o CDC (art. 42) abre espaço para a devolução em dobro. Veja o detalhe em banco devolve em dobro o débito indevido.

E se o dinheiro preso for o meu salário?

Há proteção reforçada. Salários e verbas de natureza alimentar são impenhoráveis (CPC, art. 833, IV). Se o bloqueio atingiu a sua remuneração, veja o banco zerou o meu salário: o que fazer.

O banco bloqueou por causa de MED do Pix. Isso muda algo?

O MED é um dos motivos alegados, mas não dispensa base concreta. O acionamento do mecanismo de devolução do Pix não autoriza, por si só, reter todo o saldo por tempo indefinido, e a régua dos 4 pontos continua valendo.

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