Como pedir repactuação de dívidas (Lei 14.181/2021)

20/04/2026

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João Coelho

Pedir a repactuação de dívidas é o caminho previsto na Lei 14.181/2021 para quem está superendividado: o consumidor reúne todas as dívidas de consumo em um único processo e propõe um plano de pagamento de até 5 anos, preservando o mínimo existencial. Pode ser feito por conciliação (Procon, Consumidor.gov, CEJUSC) ou por ação judicial.

A repactuação reúne todas as dívidas de consumo em um plano único de até 5 anos, preservando o mínimo existencial. O pedido é feito em audiência (conciliação ou judicial), com todos os credores convocados; o ônus de apresentar o plano é do devedor.

Neste guia você vê o passo a passo, os documentos, como funciona a audiência e o que o STJ decidiu.

Atualizado em 30 de junho de 2026. Base normativa: arts. 104-A a 104-C do CDC, inseridos pela Lei 14.181/2021. O STF (abril de 2026) incluiu o consignado no cálculo do mínimo existencial.

Dúvidas mais comuns sobre a repactuação

PerguntaResposta direta
Como funciona a repactuação?Reúne todas as dívidas em um plano único de até 5 anos, em audiência com os credores.
Quem propõe o plano?O devedor. O ônus de apresentar a proposta é seu (STJ).
O credor é obrigado a aceitar?Não, mas deve comparecer e cooperar de boa-fé.
Preciso de advogado?Para a ação judicial, sim. A conciliação inicial pode ser sem advogado.

Passo a passo para pedir a repactuação

O que reunir e fazer

1. Liste todas as dívidas de consumo, com credor, valor total e parcela.
2. Reúna comprovantes de renda e das despesas essenciais (moradia, alimentação, saúde, transporte).
3. Tire o relatório do Registrato do Banco Central para não esquecer nenhum contrato.
4. Monte um plano de pagamento viável, preservando o mínimo existencial.
5. Protocole o pedido (conciliação no Procon/CEJUSC ou ação judicial) para a audiência com os credores.

Como funciona a audiência

Na audiência de conciliação, todos os credores são convocados de uma vez. O consumidor apresenta o plano, e os credores podem aceitar, negociar ou recusar. Havendo acordo, ele é homologado; não havendo, o juiz pode instaurar a fase de revisão e impor um plano compulsório, sempre preservando o mínimo existencial. As dívidas com garantia real e o financiamento imobiliário, em regra, ficam de fora.

O que o STJ decidiu sobre a repactuação

Jurisprudência recente

STJ (2025): o credor que comparece à audiência não é obrigado a apresentar contraproposta e não sofre sanção por isso; o ônus de propor o plano é do devedor (STJ, 4ª Turma). Já o credor que falta injustificadamente à audiência pode sofrer sanções do art. 104-A do CDC.

STF (abril de 2026): incluiu o consignado no cálculo do mínimo existencial (ADPFs 1.005, 1.006 e 1.097), ampliando a proteção na repactuação (Agência Brasil).

O que fortalece o seu pedido

Um plano bem montado, com a lista completa das dívidas e a prova das despesas essenciais, é o que convence o juiz a preservar o mínimo existencial e a impor condições aos credores. Esquecer dívidas ou subestimar despesas enfraquece o pedido.

João Coelho Advocacia

A repactuação não é favor: é direito. O segredo está na preparação, reunir tudo, calcular o mínimo existencial e chegar à audiência com um plano realista. Bem feito, o processo reorganiza a vida financeira sem deixar a pessoa sem o essencial.

Glossário rápido

  • Repactuação: reorganização global das dívidas de consumo em plano único (arts. 104-A a 104-C do CDC).
  • Audiência conciliatória: ato em que todos os credores são convocados de uma vez.
  • Plano de pagamento: proposta do devedor, com prazo de até 5 anos.
  • Mínimo existencial: renda mínima preservada (piso de R$ 600, revisto anualmente).
  • CEJUSC: Centro Judiciário de Solução de Conflitos, onde ocorre a conciliação.

Perguntas frequentes

Posso pedir a repactuação sem advogado?

A fase de conciliação (Procon, Consumidor.gov, CEJUSC) pode ser feita sem advogado; a ação judicial exige advogado.

Quanto tempo dura o plano?

Em regra, até 5 anos, conforme a capacidade de pagamento e o conjunto das dívidas.

Quais dívidas entram?

As de consumo: empréstimos, cartão, financiamentos e serviços continuados. Ficam de fora as com garantia real e o financiamento de imóvel.

O banco é obrigado a aceitar meu plano?

Não, mas deve comparecer e cooperar. Não havendo acordo, o juiz pode impor um plano compulsório preservando o mínimo existencial.

E se o banco faltar à audiência?

O não comparecimento injustificado pode gerar sanções do art. 104-A do CDC, como a suspensão da exigibilidade e a interrupção da mora.

Os consignados entram?

Sim. Após o STF (abril de 2026), o consignado entra no cálculo do mínimo existencial e na repactuação.

Pessoas também perguntam

As perguntas abaixo aparecem com frequência em buscas sobre repactuação de dívidas.

Posso incluir dívida de cartão e cheque especial?

Sim. São dívidas de consumo e entram na repactuação.

Repactuação suja meu nome?

O objetivo é regularizar; cumprido o plano, a situação se normaliza e o nome é limpo.

Preciso parar de pagar para pedir?

Não. O pedido visa reorganizar o pagamento, não deixar de pagar.

Posso tentar acordo no Consumidor.gov antes?

Pode, e é recomendável. O registro também documenta a tentativa de solução.

E se eu tiver dívida com vários bancos?

Melhor ainda: a repactuação foi feita justamente para reunir todos os credores em um único processo.

Aposentado pode pedir?

Sim, e com proteção reforçada pelo Estatuto da Pessoa Idosa.

Resumo

Pedir a repactuação (arts. 104-A a 104-C do CDC) é reunir todas as dívidas de consumo em um plano único de até 5 anos, preservando o mínimo existencial. O devedor propõe o plano em audiência com todos os credores; o credor deve comparecer, mas não é obrigado a apresentar contraproposta (STJ). Após o STF (2026), o consignado entra no cálculo do mínimo existencial.

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Este conteúdo é informativo e educacional, não constitui consulta jurídica e não representa promessa de resultado. Cada caso deve ser analisado individualmente. Referências verificadas em 30/06/2026. Publicado em conformidade com o Provimento 205/2021 da OAB.

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