Por João Vitor Chaves Coelho, OAB/SP 366.776 | OAB/PA 19.692 | OAB/DF 72.931. Especialista em Direito Bancário e fraudes digitais | Formação em Cibersegurança, Harvard University (CS50). Atualizado em julho de 2026.
No golpe da falsa central, alguém liga se passando pelo banco, avisa sobre uma “transação suspeita” e conduz a vítima a “cancelar” a operação, entregando token, senha ou fazendo um Pix de “estorno”. Banco nenhum liga pedindo senha, código ou transferência. Caiu: acione o MED pelo banco em até 80 dias, registre boletim de ocorrência e guarde tudo; a responsabilidade da instituição pode surgir tanto na conta de origem quanto na conta que recebeu o dinheiro.
Neste artigo
- 1 O roteiro do golpe, passo a passo
- 2 Caí no golpe: as primeiras 24 horas
- 3 O banco devolve? Depende de onde estava a falha
- 4 Perguntas frequentes sobre a falsa central
- 4.1 Entreguei senha e código, mas quem fez o Pix foram eles. Tenho direito à devolução?
- 4.2 Fui eu que fiz o Pix, orientada ou orientado pela “central”. Muda algo?
- 4.3 A ligação veio do número oficial do banco. Como pode?
- 4.4 Instalei o aplicativo que a “central” pediu. O que faço além do MED?
- 4.5 A vítima é pessoa idosa. Isso pesa no processo?
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O roteiro do golpe, passo a passo
- O gancho: ligação ou mensagem “do banco” sobre compra estranha, clonagem ou atualização de segurança. Os dados que citam (nome, CPF, cartão) vêm de vazamentos, e é por isso que parecem verdadeiros.
- A urgência: “precisamos agir agora ou o valor será debitado”. Pressa é a assinatura do golpe.
- A entrega: pedem o código que chegou por SMS, a senha, a instalação de um aplicativo de “segurança” (que espelha sua tela) ou um Pix para “conta de custódia” para “estornar” a operação.
- O saque: com acesso ou com o Pix feito, o dinheiro sai em minutos para contas de passagem, geralmente abertas com documentos falsos.
| O que a central FALSA faz | O que o banco REAL faz |
|---|---|
| Liga e pede senha, token ou código de SMS | Nunca pede senha ou código por ligação |
| Manda fazer Pix de “estorno” ou “custódia” | Estorno real não passa por transferência sua |
| Pede para instalar aplicativo na hora | Não instala nada por telefone |
| Cria pânico e pressa | Bloqueia preventivamente e orienta pelos canais oficiais |
Caí no golpe: as primeiras 24 horas
Ligue para o banco pelo número oficial (o do cartão ou do aplicativo) e peça o bloqueio e o acionamento do MED, o Mecanismo Especial de Devolução: o prazo vai até 80 dias, mas as primeiras horas são as que encontram o dinheiro ainda na conta de destino. Registre o boletim de ocorrência online descrevendo a ligação, os números usados e as transferências. Guarde prints, extratos e protocolos: é esse conjunto que sustenta a devolução.
O banco devolve? Depende de onde estava a falha
A Súmula 479 do STJ responsabiliza as instituições por fraudes que se aproveitam de falhas do serviço (fortuito interno). Na falsa central, a briga costuma ter duas frentes. Na conta de origem, discute-se o vazamento dos dados que deram credibilidade à ligação e a ausência de bloqueio de transações fora do padrão. Na conta de destino, a falha na abertura da conta usada pela quadrilha: em caso julgado pelo TJSP, a fintech que recebeu o dinheiro de vítima da falsa central foi condenada a devolver o valor e pagar R$ 5.000 de dano moral, justamente porque “a instituição financeira que permite a abertura de conta fraudulenta sem comprovação de diligência responde objetivamente pelos danos” (Apelação 1008650-66.2024.8.26.0361, 15ª Câmara de Direito Privado). No mesmo caso, o banco da vítima foi absolvido: o resultado depende de onde a falha ficou provada, e mirar a instituição certa faz toda a diferença.
Perguntas frequentes sobre a falsa central
Entreguei senha e código, mas quem fez o Pix foram eles. Tenho direito à devolução?
A entrega da senha sob engano não encerra a discussão: os tribunais analisam se o banco monitorou transações fora do seu padrão. Sequência de transferências atípicas sem nenhum alerta pesa contra a instituição, mesmo com uso de credenciais.
Fui eu que fiz o Pix, orientada ou orientado pela “central”. Muda algo?
Transferência induzida por fraude é o cenário mais disputado: as vitórias vêm quando se prova falha concreta, especialmente na conta que recebeu. Por isso a estratégia certa costuma mirar também o banco de destino, que abriu a conta da quadrilha.
A ligação veio do número oficial do banco. Como pode?
Existe falsificação do número exibido no identificador de chamadas. O número na tela não prova nada: a regra de ouro é desligar e ligar você para o canal oficial, digitando o número do cartão.
Instalei o aplicativo que a “central” pediu. O que faço além do MED?
Desinstale, troque todas as senhas a partir de outro aparelho e avise o banco que houve acesso remoto. Esse detalhe muda a análise técnica do caso e deve constar no boletim de ocorrência.
A vítima é pessoa idosa. Isso pesa no processo?
Pesa: os tribunais consideram a condição da vítima e o caráter alimentar de aposentadorias na fixação da reparação. Em caso de golpe contra pessoa idosa e aposentada, o TJRJ manteve R$ 15.000 de dano moral destacando a privação de verba alimentar (Apelação 0801803-43.2022.8.19.0055).
A “central” levou seu dinheiro e o banco lavou as mãos? A vergonha não é sua: o roteiro foi desenhado por profissionais do engano. Dá para analisar as duas pontas da falha e buscar a devolução. Atendimento 100% online em todo o Brasil.
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Conteúdo informativo e educacional, em conformidade com o Provimento 205/2021 da OAB. Não constitui consulta jurídica nem garante resultado. Referências verificadas em julho de 2026. Cada caso exige análise individual. João Coelho Advocacia (CNPJ 42.148.263/0001-92).