Boletim de Ocorrência Online: Como Fazer em 2026

O Boletim de Ocorrência online é o registro digital de fato com relevância jurídica feito perante a autoridade policial via Delegacia Virtual. Tem eficácia probatória equivalente ao presencial, é gratuito, leva de 10 a 30 minutos e costuma ser solicitado pelos bancos para o pedido de devolução pelo MED 2.0.

O B.O. fortalece o pedido administrativo do MED 2.0 e costuma ser solicitado pelos bancos como elemento de comprovação da fraude. Em regra, o registro nas primeiras 24 horas favorece a preservação das provas e a defesa criminal e civil, observada a análise do caso concreto.

Neste guia (25 minutos) como funciona o B.O. online em 2026, link da Delegacia Virtual nos 27 estados, modelos por tipo de crime (golpe do Pix, roubo, fraude, agressão), o que fazer nas primeiras horas e como o B.O. sustenta ação civil contra o banco pela Súmula 479 do STJ.

Boletim de ocorrencia online: como fazer B.O. pela internet passo a passo, por advogado João Vitor Chaves Coelho, 2026

Cenário em maio de 2026 o Brasil registra um padrão claro na criminalidade. Crimes patrimoniais presenciais (roubos, furtos de veículos) estão em queda, mas os golpes digitais batem recorde. Segundo o 19º Anuário Brasileiro de Segurança Pública (FBSP, 2025), foram 2,17 milhões de estelionatos em 2024, com aumento de 7,8% em relação ao ano anterior. Os estelionatos eletrônicos passaram de 281 mil casos: um golpe online a cada dois minutos. Pesquisa Datafolha encomendada pelo FBSP em 2025 estimou que aproximadamente um quarto da população adulta brasileira já foi alvo de tentativa ou efetivação de fraude bancária digital nos 12 meses anteriores à coleta. Próxima revisão deste artigo prevista para novembro de 2026.

⚡ O que fazer agora

  1. Reúna todas as provas antes de começar: prints, comprovantes Pix, e-mails, links, números de telefone, fotos.
  2. Acesse a Delegacia Virtual do seu estado (tabela completa abaixo) e registre o B.O. com o máximo de detalhes possível.
  3. No mesmo dia, acione o MED 2.0 junto ao seu banco (se for golpe do Pix) e registre reclamação no portal Meu BC.

Detalhe completo na seção Como fazer B.O. online passo a passo.

Na prática do escritório Chaves Coelho, é comum que a pessoa descubra que caiu em golpe e não saiba por onde começar. O primeiro passo é sempre o mesmo: registrar o B.O. antes de qualquer outra ação. Sem esse registro, o banco pode negar o pedido de devolução pelo MED e a investigação criminal não começa. Caso ilustrativo baseado em padrão recorrente (art. 35 do Código de Ética e Disciplina da OAB).

Neste artigo

Quais as 6 dúvidas mais comuns sobre B.O. online?

Resposta direta o eixo é sempre o mesmo: validade jurídica, prazos, crimes elegíveis e diferença em relação ao presencial.

PerguntaResposta direta
B.O. online tem a mesma validade do presencial?Sim. Validade jurídica idêntica. Pode ser usado como prova em qualquer tribunal.
Quanto tempo leva para fazer B.O. pela internet?De 10 a 30 minutos, dependendo da complexidade e das provas anexadas.
Posso fazer B.O. de golpe do Pix online?Sim. Registre como estelionato eletrônico e acione o MED em até 80 dias.
Existe prazo para registrar B.O.?Não há prazo legal. Quanto antes registrar, melhor para investigação e provas.
Quais crimes não podem ser registrados online?Homicídio, estupro, latrocínio e sequestro. Nesses casos, vá à delegacia ou ligue 190.
B.O. falso é crime?Sim. Art. 340 do Código Penal: detenção de 1 a 6 meses ou multa.

O que diz a lei sobre B.O. online?

Resposta direta o B.O. online é amplamente aceito pelas Polícias Civis estaduais como documento oficial e tem eficácia probatória equivalente ao registro presencial. O fundamento está no reconhecimento da validade jurídica dos documentos eletrônicos pelo Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014), na MP 2.200-2/2001 (ICP-Brasil) e nos atos normativos próprios de cada Polícia Civil estadual que regulamentam a Delegacia Virtual.

Boletim de Ocorrência Online é o registro digital de fatos com relevância jurídica perante a autoridade policial, realizado via Delegacia Virtual estadual ou pela DEVIR federal. Em 2026, o documento eletrônico tem eficácia probatória equivalente ao registro presencial, decorrente do reconhecimento da validade jurídica dos documentos eletrônicos pelo Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014), da assinatura eletrônica regulada pela MP 2.200-2/2001 e dos provimentos próprios de cada Polícia Civil estadual. O registro é elemento relevante para o pedido administrativo do MED 2.0 no Banco Central e para fundamentar ações de reparação contra instituições financeiras.

Validade probatória (Marco Civil + provimentos das Polícias Civis estaduais)

A Lei 12.965/2014 (Marco Civil da Internet) reconhece a validade jurídica dos documentos eletrônicos. A MP 2.200-2/2001 disciplina a infraestrutura de chaves públicas (ICP-Brasil), que assegura autenticidade dos registros digitais. Cada Polícia Civil estadual edita provimento próprio regulamentando a Delegacia Virtual e o trâmite do B.O. online. Atualmente, todas as 27 unidades federativas oferecem o serviço.

Tipificação penal do estelionato praticado por meio eletrônico (Lei 14.155/2021)

A Lei 14.155/2021 alterou o art. 171 do Código Penal e acrescentou o § 2º-B, prevendo causa de aumento de pena de 1/3 a 2/3 quando o estelionato é cometido com uso de servidor mantido fora do território nacional. O tipo-base do estelionato (art. 171, caput, CP) prevê pena de reclusão de 1 a 5 anos e multa. Aplica-se ainda majorante específica do § 4º quando a vítima é idosa ou vulnerável. Para registrar golpe do Pix, descreva o tipo como “estelionato praticado por meio eletrônico (art. 171 do CP, com Lei 14.155/2021)”.

Conexão com responsabilidade civil bancária (Súmula 479 STJ)

O B.O. é peça documental relevante porque conta com fé pública quanto ao ato de registro (data, hora, IP, número de protocolo gerados pela autoridade policial). O conteúdo declarado pelo comunicante, contudo, é prova indiciária: precisa ser corroborado por outros elementos (extratos bancários, hash da transação Pix, prints de comunicação com o banco). Em ação civil contra o banco baseada na Súmula 479 do Superior Tribunal de Justiça, o B.O. cumpre três funções principais: comprova a comunicação tempestiva de crime de terceiro (elemento útil para afastar “uso voluntário”), documenta o horário aproximado da fraude (base para argumentação de falha do banco em detectar transações atípicas) e identifica dados da conta receptora (fundamento para discutir responsabilidade do banco-destino), tudo combinado com as demais provas técnicas reunidas pela vítima.

O B.O. online registra hora, IP e protocolo numerado: em alguns casos, é até mais robusto como prova do que o presencial. O número do protocolo, o horário do registro e o IP de origem geram cadeia de evidência auditável que sustenta o pedido administrativo (MED) e a ação judicial contra o banco, independente de o autor do golpe ser identificado.

Glossário rápido (12 termos técnicos)

Resposta direta o registro de B.O. usa vocabulário técnico específico. Saber o sentido exato dos termos ajuda a preencher corretamente os formulários e fundamentar pedidos administrativos e judiciais.

Comunicante. Pessoa que registra o B.O. Pode ser a vítima ou alguém que presenciou o fato. Não precisa ser a pessoa diretamente lesada.

Filiação. No campo “filiação” do formulário, informe o nome completo da mãe e, quando solicitado, do pai. Dado obrigatório de identificação.

Lavrar. “Lavrar um B.O.” significa registrar oficialmente o boletim. Termo técnico usado pela polícia.

Token. Código de acesso temporário enviado por SMS ou e-mail após iniciar o B.O. online. Serve para retomar o preenchimento caso saia da página.

Nome social. Pessoas trans e travestis têm direito a usar o nome social no B.O. O Decreto 8.727/2016 regula esse direito no âmbito da administração pública federal direta, autárquica e fundacional. Para o B.O. estadual, valem provimentos próprios de cada Polícia Civil, em geral alinhados ao mesmo entendimento. Campo opcional no formulário.

B.O. eletrônico/digital/virtual. Mesma coisa. São apenas nomes diferentes para o registro feito pela internet. Cada estado usa uma nomenclatura.

DEVIR. Delegacia Virtual federal do Sinesp (Ministério da Justiça). Sistema usado quando o estado não tem sistema próprio. URL: delegaciavirtual.sinesp.gov.br.

Estelionato praticado por meio eletrônico. Estelionato (art. 171, caput, do Código Penal, pena de 1 a 5 anos) cometido com fraude que envolve aplicativo, rede social, e-mail, mensagem ou ligação. A Lei 14.155/2021 acrescentou o § 2º-B, prevendo aumento de 1/3 a 2/3 quando há uso de servidor fora do país. Quando a vítima é idosa, aplica-se a majorante do § 4º. A nomenclatura “estelionato eletrônico” é usual nos boletins de ocorrência e pesquisas, embora tecnicamente o tipo-base seja o estelionato comum, com causas de aumento específicas.

Fato atípico. Situação que não configura crime mas precisa de registro oficial (perda de documentos, extravio de objeto). Gera B.O. circunstanciado.

Aditamento. Procedimento para complementar ou retificar B.O. já registrado. Quando há novos fatos ou informações, solicita-se aditamento na delegacia.

Hash de transação Pix. Código único (end-to-end ID) de cada transferência Pix. Identificador técnico que prova a operação. Inclua sempre no B.O. de golpe do Pix.

IMEI. Identificador único de cada aparelho celular (15 dígitos). Encontra-se na caixa, na nota fiscal ou discando *#06#. Essencial no B.O. de roubo ou furto de celular para bloqueio na operadora.

Tipos de registro e quando usar cada um

Resposta direta existem dois tipos básicos. B.O. criminal (furto, roubo, estelionato, ameaça, fraude) e B.O. circunstanciado de fato atípico (perda de documentos, extravio).

  • B.O. criminal registra crimes como furto, roubo, estelionato, ameaça, lesão corporal e fraude. Gera inquérito policial e pode resultar em processo penal.
  • B.O. circunstanciado (fato atípico) registra situações que não configuram crime, como perda de documentos, encontro de objetos ou preservação de direitos. Não gera inquérito, mas tem validade legal como documento.

Decisão rápida em 4 cenários

  1. Caiu em golpe do Pix registre como estelionato praticado por meio eletrônico (art. 171 do CP, com aumento do § 2º-B se houver servidor fora do país, Lei 14.155/2021), anexe prints e comprovantes, em seguida acione o MED 2.0 no app do banco em até 80 dias.
  2. Teve celular roubado registre como roubo (com violência) ou furto (sem violência), informe IMEI e bloqueie a linha na operadora.
  3. Sofreu acidente sem vítima registre online no estado onde ocorreu, com fotos dos veículos e dados das pessoas que dirigiam.
  4. Crime grave (homicídio, estupro, latrocínio, sequestro) NÃO registre online. Ligue 190 ou vá à delegacia mais próxima.

Como fazer B.O. online passo a passo?

Resposta direta acesse a Delegacia Virtual do seu estado, faça login com gov.br, selecione o tipo de ocorrência, preencha os dados com metadados técnicos, anexe provas e emita o PDF oficial.

Passo 1: acesse o site da Delegacia Virtual do seu estado

Cada estado tem seu próprio sistema. Use a tabela na seção link da Delegacia Virtual por estado para encontrar o link direto. Se o seu estado não tem sistema próprio, use a DEVIR federaldelegaciavirtual.sinesp.gov.br.

Passo 2: faça login com sua conta gov.br

A maioria dos estados usa autenticação via gov.br (nível Prata ou Ouro). Você vai precisar de CPF e senha. Se ainda não tem conta gov.br, crie uma antes.

Passo 3: selecione o tipo de ocorrência

Escolha a natureza do fato: furto, roubo, estelionato, perda de documentos, acidente de trânsito, ameaça, entre outros. Nem todos os tipos estão disponíveis online.

Passo 4: preencha os dados da ocorrência

Informe data, horário aproximado e local do fato, descrição detalhada do que aconteceu, dados pessoais (seus e de eventuais testemunhas), características de objetos subtraídos (marca, modelo, cor, IMEI do celular). Para golpe do Pix, inclua o hash da transação (end-to-end ID), a chave Pix de destino e o nome do destinatário que apareceu na transferência.

Passo 5: anexe provas

Muitos sistemas permitem anexar fotos, prints de conversa, comprovantes de transferência Pix, capturas de tela de perfis falsos. Quanto mais provas, melhor para a investigação.

Passo 6: revise e confirme o registro

Leia tudo com atenção antes de enviar. Após a confirmação, você receberá um número de protocolo e poderá imprimir ou salvar o B.O. em PDF.

Crimes graves NÃO podem ser registrados online. Homicídio, estupro, latrocínio e sequestro exigem registro presencial imediato. Para esses casos, vá à delegacia mais próxima ou ligue 190.

Qual é o link da Delegacia Virtual do meu estado?

Os 27 estados brasileiros e o Distrito Federal têm delegacia virtual ativa em 2026 (sistema próprio ou DEVIR federal).

EstadoSistemaLink direto
São Paulo (SP)Delegacia Eletrônica SSP/SPdelegaciaeletronica.policiacivil.sp.gov.br
Rio de Janeiro (RJ)Delegacia Online PCERJdelegaciaonline.pcivil.rj.gov.br
Minas Gerais (MG)Delegacia Virtual PCMGdelegaciavirtual.sids.mg.gov.br
Bahia (BA)DEVIR / SSP-BAdelegaciavirtual.sinesp.gov.br
Paraná (PR)Delegacia Eletrônica PCPRpoliciacivil.pr.gov.br/BO
Rio Grande do Sul (RS)Delegacia Online PCRSdelegaciaonline.rs.gov.br
Santa Catarina (SC)Delegacia Virtual PCSCdelegaciavirtual.sc.gov.br
Goiás (GO)RAI Virtual SSP/GOraivirtual.ssp.go.gov.br
Distrito Federal (DF)Delegacia Eletrônica PCDFdelegaciaeletronica.pcdf.df.gov.br
Pernambuco (PE)Delegacia Interativa SDS/PEservicos.sds.pe.gov.br
Ceará (CE)DELETRON PCCEdelegaciaeletronica.ce.gov.br
Mato Grosso (MT)Delegacia Digital PJC/MTdelegaciadigital.pjc.mt.gov.br
Mato Grosso do Sul (MS)DEVIR PCMSdevir.pc.ms.gov.br
Pará (PA)Delegacia Virtual PCPAdelegaciavirtual.pa.gov.br
Espírito Santo (ES)DEON PCESdelegaciaonline.sesp.es.gov.br
Maranhão (MA)Delegacia Online SSP/MAdelegaciaonline.ssp.ma.gov.br
Amazonas (AM)DEVIR (Federal)delegaciavirtual.sinesp.gov.br
Rio Grande do Norte (RN)DEVIR (Federal)delegaciavirtual.sinesp.gov.br
Paraíba (PB)Delegacia Online PCPBdelegaciaonline.pb.gov.br
Piauí (PI)DEVIR (Federal)delegaciavirtual.sinesp.gov.br
Alagoas (AL)DEVIR (Federal)delegaciavirtual.sinesp.gov.br
Sergipe (SE)Delegacia Virtual SSP/SEportalcidadao.ssp.se.gov.br
Rondônia (RO)DEVIR (Federal)delegaciavirtual.sinesp.gov.br
Tocantins (TO)DEVIR (Federal)delegaciavirtual.sinesp.gov.br
Acre (AC)DEVIR (Federal)delegaciavirtual.sinesp.gov.br
Amapá (AP)DEVIR (Federal)delegaciavirtual.sinesp.gov.br
Roraima (RR)DEVIR (Federal)delegaciavirtual.sinesp.gov.br

Dica se você está fora do estado onde o crime aconteceu, registre no sistema do estado onde o fato ocorreu. É a polícia de lá que tem competência para investigar. Se não conseguir acesso, use a DEVIR federal ou vá a qualquer delegacia.

O B.O. online em 2026 está disponível em todas as 27 unidades federativas do Brasil via sistema próprio ou DEVIR federal. Tem eficácia probatória equivalente ao presencial, decorrente do Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014) e dos provimentos das Polícias Civis estaduais. É gratuito, leva 10 a 30 minutos e exige autenticação gov.br nível Prata ou Ouro. Crimes graves (homicídio, estupro, latrocínio, sequestro) exigem registro presencial. Não há prazo legal para registrar, mas para golpe do Pix o prazo do MED 2.0 é de 80 dias.

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Como fazer B.O. de golpe do Pix passo a passo?

Resposta direta o golpe do Pix é hoje um dos crimes mais registrados no Brasil. Em 2024, foram mais de 281 mil estelionatos eletrônicos (19º Anuário FBSP). O B.O. é elemento relevante no pedido administrativo do MED 2.0 e costuma ser solicitado pelos bancos como prova de comunicação do crime. Para detalhes do Pillar Golpe do Pix e da responsabilidade solidária dos PSPs.

Informações essenciais para incluir

Dados pessoais nome completo, CPF, RG, endereço, telefone, e-mail.

Dados bancários banco, agência, conta, tipo de conta.

Dados da transferência data e horário exatos, valor transferido, chave Pix de destino, nome do destinatário, banco de destino, hash da transação (end-to-end ID).

Descrição detalhada como o contato aconteceu, o que a pessoa disse, se se passou por alguém, sequência completa dos fatos.

Provas para anexar comprovante da transferência Pix, prints das conversas, prints do perfil usado no golpe, links de sites falsos, áudios.

Modelo de relato para B.O. de golpe do Pix

“No dia [DATA], por volta das [HORÁRIO], recebi mensagem via [WhatsApp/Instagram/ligação] de pessoa que se identificou como [funcionário do banco X / familiar / pessoa que vendia produto]. A pessoa [descrever o que alegou]. Acreditando ser verdade, realizei transferência via Pix no valor de R$ [VALOR] para a chave [INFORMAR CHAVE PIX], nome do destinatário: [NOME QUE APARECEU]. Hash da transação (end-to-end ID): [INFORMAR]. Após a transferência, percebi que se tratava de golpe porque [descrever]. Entrei em contato com meu banco [NOME DO BANCO] no mesmo dia para solicitar o bloqueio e acionar o MED.”

O que fazer além do B.O.

  • Acione o MED 2.0 junto ao seu banco em até 80 dias (Resolução BCB 493/2025).
  • Registre reclamação no Banco Central (bcb.gov.br/meubc).
  • Registre reclamação no consumidor.gov.br.
  • Se o banco negar a devolução, é possível entrar com ação judicial baseada na Súmula 479 do STJ.

Como fazer B.O. de furto e roubo de celular, veículo ou residência?

Resposta direta a diferença entre furto e roubo: no furto, o bem é subtraído sem violência ou ameaça. No roubo, há violência ou grave ameaça. O roubo tem pena mais grave.

Modelo para furto ou roubo de celular

Dados do aparelho marca, modelo, cor, número IMEI (15 dígitos, na caixa, nota fiscal ou *#06# antes do furto), número da linha, operadora.

“No dia [DATA], por volta das [HORÁRIO], no endereço [LOCAL COMPLETO], tive meu aparelho celular [MARCA/MODELO] [furtado/roubado]. [Para roubo: descrever ameaça, arma, número de pessoas]. O aparelho possui IMEI [NÚMERO].”

Após o B.O. bloqueie a linha e o IMEI na operadora, altere senhas dos aplicativos, ative rastreamento remoto, acione seguro com o número do B.O.

Modelo para roubo ou furto de veículo

Dados do veículo marca, modelo, ano, cor, placa, Renavam, chassi.

“No dia [DATA], por volta das [HORÁRIO], no endereço [LOCAL], tive meu veículo [MARCA/MODELO/COR], placa [PLACA], [furtado/roubado]. [Descrever circunstâncias].”

Modelo para furto ou roubo em residência

Dados endereço completo, lista dos bens subtraídos com valores estimados, sinais de arrombamento.

Como fazer B.O. de acidente de trânsito?

Acidente sem vítima (pode fazer online)

Dados dados dos veículos (placa, marca, modelo, cor), de quem dirigia (nome, CNH, telefone), endereço, data, horário.

Dica tire fotos antes de mover os veículos: posição dos carros, danos, placa, CNH, condições da via.

Acidente com vítima (presencial)

Ligue 190 (Polícia Militar) e 193 (SAMU/Bombeiros). Não mova os veículos. O B.O. será feito no local pela equipe policial ou na delegacia.

Acidente em rodovia federal

Acidentes em rodovias federais são atendidos pela PRF. Ligue 191. A equipe vai ao local, faz o registro e emite o B.O. Após o registro, você pode consultar e baixar o B.O. pelo site gov.br/prf.

Como fazer B.O. de ameaça, injúria, calúnia e violência doméstica?

Ameaça e crimes contra a honra

Importante salve todas as provas antes de qualquer coisa. Prints com data e hora, áudios, e-mails.

“No dia [DATA], por volta das [HORÁRIO], recebi [mensagem/ligação/abordagem presencial] de [NOME, se souber] contendo ameaça de [descrever: ‘morte’, ‘agressão’, ‘dano’]. A ameaça foi feita por meio de [WhatsApp, Instagram, pessoalmente]. Possuo prints/gravação como prova.”

Violência doméstica (Lei Maria da Penha)

A Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006) garante proteção integral. O B.O. é o primeiro passo para pedir medidas protetivas de urgência. Tipos de violência física, psicológica, moral, sexual e patrimonial.

Onde registrar a Delegacia da Mulher (DDM/DEAM) é o local mais indicado. Qualquer delegacia é obrigada a registrar. Após o B.O., a autoridade encaminha pedido de medidas protetivas ao juiz, que tem prazo de 48 horas para decidir.

Canais de apoio Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher, 24h) e 190 (PM, emergência).

Como o escritório usa o B.O. em ação civil contra o banco (5 camadas)?

Resposta direta o que sustenta ações de golpe do Pix não é só a tese jurídica. É o uso técnico do B.O. como peça probatória cruzada com o protocolo do banco. Em mais de 12 anos de atuação em direito bancário, o escritório estruturou um protocolo de uso do B.O. em 5 camadas.

Protocolo Chaves Coelho de uso do B.O. em 5 camadas (perspectiva CS50 Harvard)

  1. Tempestividade documentada B.O. com horário próximo da comunicação ao banco demonstra agilidade da pessoa que sofreu a fraude e enfraquece tese de culpa concorrente.
  2. Detalhamento técnico descrição precisa do modus operandi (falsa central, mão fantasma, deepfake) facilita o enquadramento da Súmula 479 do STJ.
  3. Identificação da conta receptora chave Pix e instituição do destinatário viabilizam o pedido de responsabilidade do banco-destino.
  4. Cruzamento com protocolo do banco anexar o protocolo de comunicação ao banco (com horário) ao lado do B.O. (com horário) prova a falha de monitoramento.
  5. Pedido de quebra de sigilo a frase “Solicito investigação e quebra de sigilo bancário da conta receptora” abre via investigativa que pode produzir prova adicional para a ação civil.

Os 8 perfis típicos que precisam de B.O. online em 2026

  1. Pessoa que sofreu falsa central de atendimento tipo mais documentado em 2026. B.O. detalha o modus operandi (ligação, identificação fingida, indução a transferência).
  2. Pessoa que sofreu mão fantasma com aplicativo fraudulento acesso remoto após instalação de app malicioso. B.O. registra o app instalado, o horário e o valor.
  3. Pessoa que sofreu empréstimo fraudulento aberto após o golpe golpistas contratam empréstimos em nome da vítima. B.O. + Registrato + ação declaratória de nulidade são os três passos.
  4. Pessoa que teve cartão clonado com Pix em sequência cartão clonado. B.O. registra a perda de controle do dispositivo e comprova o crime contra o banco emissor.
  5. Pessoa que teve celular roubado com Pix consequencial celular roubado desbloqueado. Transferências em sequência. B.O. de roubo (não furto) e descrição precisa das transações atípicas.
  6. Pessoa que sofreu boleto adulterado por extensão de navegador boleto verdadeiro adulterado por malware. B.O. registra a alteração e comprova a fraude no momento do pagamento.
  7. Pessoa que sofreu QR Code malicioso QR Code substituído fisicamente em estabelecimento ou panfleto. B.O. precisa documentar o local e o momento.
  8. Pessoa que sofreu venda casada digital ou contrato fraudulento contratação digital sem MFA registrada. B.O. registra o desconhecimento e funciona em conjunto com ação declaratória de nulidade.

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Como consultar, imprimir e acompanhar o B.O.?

Resposta direta após registrar, o acompanhamento pode ser feito online. Você precisa do número do B.O. ou do protocolo e do CPF.

Consulta online

A maioria dos estados permite consultar o B.O. pelo mesmo sistema onde foi registrado. Em São Paulo, acesse delegaciaeletronica.policiacivil.sp.gov.br e clique em “Consultar B.O.”. O número aparece no comprovante recebido ao registrar.

Editar ou retificar

Em alguns estados, o sistema permite alterar o B.O. nas primeiras horas após o registro. Se já foi homologado, vá à delegacia e solicite aditamento. Não é possível “cancelar” um B.O. registrado, mas você pode fazer aditamento.

Tempo de investigação

Não existe prazo fixo para conclusão de inquérito. Crimes com poucas provas podem demorar meses. Crimes com provas digitais claras (como golpes do Pix com chave identificada) tendem a ter andamento mais rápido.

Mitos desfeitos sobre B.O. online

❌ Mito 1: “B.O. online não vale tanto quanto B.O. presencial.”

Falso. O Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014) reconhece a validade jurídica de documentos eletrônicos, e a regulamentação das Delegacias Virtuais pelos provimentos próprios de cada Polícia Civil estadual confere ao B.O. online valor probatório equivalente ao presencial. O que importa não é o suporte (papel ou digital), mas a autenticidade do registro, o número de protocolo gerado e os metadados técnicos (data, hora, IP de origem) que ficam armazenados. Todas as 27 unidades federativas oferecem delegacia virtual reconhecida.

❌ Mito 2: “Sem nome de quem aplicou o golpe, o B.O. não serve.”

Falso. O B.O. de fraude bancária digital não exige identificação do autor. O que importa é a descrição cronológica do evento (data, hora, modalidade, valor, chave Pix de destino, screenshots). É essa documentação que sustenta o pedido administrativo (MED) e a ação judicial contra o banco.

❌ Mito 3: “Preciso esperar 24 horas para registrar desaparecimento.”

Falso. Não existe esse prazo legal. A delegacia é obrigada a registrar imediatamente, sem prazo mínimo. Para desaparecimento, registre no momento em que percebeu que a pessoa não retornou no horário esperado.

Sinais de que cabe registrar B.O. sem demora

Há base jurídica para registrar imediatamente se você se identifica com qualquer destes sinais

  • Pix transferido para conta de terceiro sob pretexto de “central do banco” ou “transação suspeita”.
  • Empréstimo aparecendo no Registrato sem você ter contratado.
  • Celular roubado com transferências feitas em seguida.
  • Boleto pago com valor diferente do que estava na tela.
  • Cartão clonado com compras ou Pix em sequência.
  • Aplicativo fraudulento instalado sob orientação de pessoa que se identificou como bancária.
  • QR Code suspeito em estabelecimento físico.
  • Conta de e-mail ou rede social invadida com mensagens enviadas em seu nome.

Dúvidas frequentes sobre B.O. online

Quanto tempo leva para fazer um B.O. online?

De 10 a 30 minutos. Ter documentos e provas em mãos antes agiliza o processo.

B.O. online tem a mesma validade que o presencial?

Sim, validade jurídica idêntica. Pode ser usado como prova em processos judiciais, para acionar seguros e qualquer finalidade legal.

Posso fazer B.O. de golpe do Pix online?

Sim, a maioria dos estados aceita. Registre como estelionato eletrônico. Além do B.O., acione o MED em até 80 dias.

Preciso ir à delegacia depois de fazer B.O. online?

Na maioria dos casos, não. Para ocorrências simples, o B.O. online basta. A delegacia pode convocar para complementar informações.

Menor de idade pode fazer B.O.?

Não. Quem registra deve ter 18 anos ou mais. Para menores, o registro deve ser feito pela mãe, pelo pai ou por responsável legal.

Posso registrar B.O. de algo que aconteceu em outro estado?

A competência é do estado onde o fato ocorreu. Para golpes pela internet (sem localização definida), você pode registrar no seu estado de residência.

B.O. serve para justificar falta no trabalho?

Não automaticamente. Pode servir como justificativa, mas o abono depende da empresa e da convenção coletiva. Consulte o RH.

Como fazer B.O. de hacker que invadiu meu Instagram?

Registre como crime cibernético (Art. 154-A do CP). Tente recuperar acesso pela central do Instagram antes. Informe perfil invadido, e-mail, data e prints.

O que acontece se eu não fizer B.O. após um roubo?

Sem B.O., você perde vários direitos. Não pode acionar seguro, bloquear IMEI, pedir medidas protetivas, acionar o MED ou usar o fato como prova.

Quanto tempo demora para o B.O. ficar pronto na delegacia?

De 30 minutos a 2 horas. O B.O. fica pronto na hora. A investigação que vem depois pode levar semanas ou meses.

B.O. de acidente de trânsito pode ser feito pela internet?

Sim, se não houver vítima. Vários estados aceitam registro online. Com vítima, é obrigatoriamente presencial.

Fazer B.O. aparece na ficha criminal?

Não. Registrar B.O. como vítima não gera registro na ficha criminal. Antecedentes só são gerados quando há inquérito policial contra você.

É possível cancelar um B.O. depois de feito?

Em crimes de ação penal pública (roubo, furto, estelionato), não. Em crimes condicionados à representação (ameaça, injúria), a vítima pode se retratar em até 6 meses.

É possível fazer B.O. anônimo?

Não. O B.O. exige identificação. Para denúncias anônimas, use o Disque-Denúncia (181) ou a plataforma online do seu estado.

Ter B.O. impede de fazer concurso público?

Não. Ter B.O. como vítima não impede nada. O que pode impedir é condenação criminal transitada em julgado, dependendo do edital.

Qual a diferença entre B.O. online, eletrônico, digital e virtual?

Nenhuma. São nomes diferentes para o mesmo serviço: registro pela internet, com mesma validade jurídica.

Preciso esperar 24 horas para registrar desaparecimento de pessoa?

Não. Isso é mito. A delegacia é obrigada a registrar imediatamente, sem prazo mínimo.

Quanto tempo tenho para fazer B.O.?

Não existe prazo legal obrigatório. Mas quanto antes, melhor para investigação e preservação de provas. No golpe do Pix, o prazo do MED é 80 dias.

Como dizer “boletim de ocorrência” em inglês?

“Police report”. Em documentos oficiais para consulados e imigração, usa-se “police incident report”.

Resumo final: B.O. online em 2026

Regra geral registre B.O. online nas primeiras 24 horas após o golpe ou crime. É peça-chave criminal e civil.

Direito aplicável Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014) + MP 2.200-2/2001 (ICP-Brasil) + provimentos das Polícias Civis estaduais (validade do registro digital); art. 171 do Código Penal e causa de aumento de pena do § 2º-B introduzida pela Lei 14.155/2021 (estelionato praticado por meio eletrônico); Súmula 479 do STJ (responsabilidade objetiva do banco por fortuito interno).

Solução administrativa delegacia digital do estado + protocolo e PDF do B.O. arquivado. MED 2.0 em até 80 dias.

Solução judicial ação civil baseada na Súmula 479 do STJ. B.O. como prova documental robusta.

Ação imediata reúna comprovantes, descreva fatos com detalhe (horário, dispositivo, chave Pix do destinatário) e procure orientação especializada nas primeiras 48 horas.

O B.O. detalhado (com horário, hash da transação Pix, chave do destinatário e modus operandi do golpe) costuma ser solicitado pelos bancos e fortalece o pedido de devolução pelo MED 2.0. Sem esse registro, o pedido administrativo fica fragilizado, embora não exista vedação legal automática. Caso a devolução administrativa seja negada, a via judicial baseada na Súmula 479 do STJ permanece em regra disponível dentro do prazo prescricional aplicável, que em muitos casos envolvendo relação de consumo segue o art. 27 do CDC, cuja contagem depende das circunstâncias concretas. B.O. + MED 2.0 + reclamação no Banco Central formam o tripé administrativo usual de recuperação.

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O registro rápido do B.O. ajuda na preservação das provas e na reconstrução cronológica dos fatos.

Outros temas que podem ajudar

Sobre o autor

João Vitor Chaves Coelho

Advogado especialista em Direito Bancário e Defesa do Consumidor

12 anos de experiência, com formação em Cibersegurança pela Harvard University (CS50). Atua em casos de golpe do Pix, fraude bancária, retenção de salário e superendividamento em todo o Brasil.

Inscrito na OAB/SP (366.776), OAB/PA (19.692) e OAB/DF (72.931). Titular do escritório Chaves Coelho Sociedade Individual de Advocacia.


Este artigo tem caráter informativo e educativo conforme art. 2º, parágrafo único, III do Provimento 205/2021 do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil. Cada caso é único e os resultados dependem das provas e circunstâncias específicas. Os exemplos citados são ilustrativos baseados em padrões recorrentes da jurisprudência (art. 35 do Código de Ética e Disciplina da OAB), não constituindo promessa de resultado equivalente em qualquer caso futuro.